Pular para o conteúdo principal
                                       

História | Novas biografias expõem ''lado obscuro" de Che

História | Um lado obscuro do líder revolucionário Ernesto Che Guevara está sendo exposto em novas biografias que, baseadas em depoimentos de pessoas que conviveram com ele, destoam das memórias enaltecedoras que marcam as comemorações dos 40 anos da morte do guerrilheiro.
Autor de Che Guevara, uma vida revolucionária, o escritor americano Jon Lee Anderson retrata o guerrilheiro como um homem egocêntrico e arrogante.

"Era soberbo e muito severo com os demais. De estilo contundente, chegou a ser muito doutrinário com as suas opiniões", afirmou Anderson à BBC.

Guiado por grandes ideais, Che, diz o biógrafo, não tinha tempo para os que apoiavam a sua causa.

"Como ele mesmo havia se sublimado por um ideal, esperava que todos os demais ao seu redor fizessem o mesmo e isso o transformou numa pessoa muito exigente e sem nenhuma paciência. Formou em volta dele uma legião de uns poucos que viveram a sua vida totalmente de acordo com Che", disse Anderson.

O ex-agente da CIA (agência de inteligência americana) Félix Rodríguez, que participou da captura e do interrogatório de Che na Bolívia, conta um caso que sugere que o líder guerrilheiro era implacável, até mesmo cruel, com os que não apoiavam a Revolução.

"Há 20 anos, uma mulher se aproximou de mim, em Paris, e me contou como o seu filho de 15 anos foi condenado à morte por escrever contra o governo de Fidel Castro", disse Rodríguez.

“Ela conseguiu uma audiência com Che e lhe implorou que deixasse seu filho viver. Era uma sexta-feira e a execução estava prevista para segunda. Quando Che perguntou o nome do rapaz, a mãe acreditou ter conseguido salvar a vida do filho. Ele girou a cabeça e, dirigindo-se a seus soldados, gritou: 'Fuzilem o filho desta senhora hoje mesmo para que ela não tenha que esperar até segunda-feira'”, disse o ex-agente da CIA.

Lado 'oculto'

Outro biógrafo de Che, o jornalista cubano Jacobo Machover, autor do livro El rostro oculto del Che, também destoa das retrospectivas que enaltecem o líder revolucionário no 40º aniversário da sua morte.

Na biografia, Machover fala sobre o período mais obscuro da vida de Che, quando ele foi colocado à frente de uma "comissão purificadora" de uma prisão em Havana que, entre outras funções, supervisionava execuções.

Durante esse período, segundo Machover, pelo menos 180 pessoas foram fuziladas depois de ser submetidas a julgamentos sumários presididos pelo próprio Che.

José Vilasuso, advogado que trabalhou com Che na prisão de La Cabaña no preparo das acusações, confirmou esse aspecto: "Os fatos eram julgados sem nenhuma consideração dos princípios de justiça".

O livro também traz o depoimento de um ex-companheiro de guerrilha de Che, Dariel Jiménez Alarcón, que descreve a frieza mantida pelo comandante durante as execuções que presenciava.

"Che subia num muro e, deitado de costas, observava as execuções enquanto fumava um charuto", disse Jiménez.

Para aqueles que não compartilhavam dos ideais de Che, mais do que um homem com defeitos, o líder guerrilheiro representava uma ameaça a toda a ordem mundial num momento em que a paz do mundo estava por um fio.

"Eu estabeleço uma analogia entre a figura de Che nos anos 60 a de Osama Bin Laden hoje" diz Lee Anderson.

"É claro que são personagens muito diferentes e que não geram o mesmo tipo de reações. Refiro-me ao fato de que Che, durante a Guerra Fria, em meio ao perigo nuclear, foi o protagonista do momento culminante na história entre Ocidente e Oriente."

Segundo o escritor americano Lawrence Osborne, a retórica de Che era carregada de ódio. "Alguns de seus discursos eram quase fascistas" afirma Osborne.

Ele cita o final de um pronunciamento do líder revolucionário em que ele dizia que "o incontrolável ódio ao inimigo nos impulsiona e nos transforma em máquinas de matar efetivas, frias e seletivas".

Palavras-chave:
Ernesto Che Guevara, guerrilheiro, lado obscuro de Che.

Descrição:
Novas biografias expõem ''lado obscuro" de Che
Um lado obscuro do líder revolucionário Ernesto Che Guevara está sendo exposto em novas biografias que, baseadas em depoimentos de pessoas que conviveram com ele, destoam das memórias enaltecedoras que marcam as comemorações dos 40 anos da morte do guerrilheiro.

Fonte:
BBC

Foto:
A/D


VEJA TAMBÉM

O que aprendi — Um retrato da educação brasileira
A influência ideológica na educação brasileira levanta um debate urgente sobre pluralidade e pensamento crítico nas salas de aula.




© OpenLinks | Conectando você ao que importa.

Veja também

Fábula | O Encantador de Asnos e o Porconismo

Fábula | Num reino tão, tão distante chamado Bananil, reinava velho Porco, um mestre da manipulação, um artista da mentira, um flautista sujo que encantava as massas com melodias de emburrecimento. Seu trono, feito de promessas vazias, sustentava o regime Porconista: uma doutrina onde a burrice é celebrada, o fracasso é premiado e a verdade é enterrada viva. Reino atolado em lama e ignorância, onde pensar era crime e obedecer era virtude. Eis os dez passos do Porconismo para transformar o Reino de Bananil num chiqueiro ideológico: 1. O Partido Porconista O partido é Deus. Questionar é heresia. A imprensa virou panfleto, a educação virou lavagem cerebral e a economia virou brinquedo de burocratas obesos. O culto ao líder é obrigatório — quem não aplaude, é inimigo do povo. Quem pensa, é traidor. 2. Educação: A Arte de Emburrecer Ensinar a ler? Só se for para repetir slogans. Compreender? Jamais. A escola virou fábrica de idiotas úteis. A universidade, centro de produção ...

Fábula | A Abelha e a Mosca

Fábula | Num dia ensolarado, entre campos floridos e aromas doces, uma abelha trabalhava incansável. Voava de flor em flor, colhendo o néctar das flores para produzir o mel que alimentaria sua colmeia. Era uma vida simples, mas cheia de propósito — cercada pela beleza da natureza e pelo esforço honesto. Ao se aproximar da cidade, a abelha viu algo que lhe causou espanto: uma mosca, pousada num monte de lixo, lambendo fezes, o mau odor era horrível. O contraste era gritante. A abelha, curiosa e generosa, decidiu conversar. — Dona Mosca, por que vive nesse monte de sujeira? Há campos floridos, ar puro, e o mais puro e doce néctar... Você poderia experimentar uma vida melhor. A mosca, sem levantar voo, apenas resmungou: — Aqui é onde encontro o que gosto. É fácil, é farto, é meu. A Abelha, paciente, passou o dia inteiro tentando mostrar as vantagens do mel. Falou da leveza do voo entre flores, da harmonia da colmeia, da doçura que alimenta e cura. Explicou que, ao visi...

Recomendo | Livro: A mentalidade anticapitalista (Ludwig von Mises)

Recomendo | Sinopse: A Mentalidade Anticapitalista é uma influente análise cultural, sociológica e psicológica de Ludwig von Mises acerca da rejeição ao livre mercado por uma parte significativa dos intelectuais. Em linguagem agradável, o autor discute com clareza e lucidez os principais elementos que caracterizam o capitalismo, o modo como este sistema é visto pelo homem comum, a literatura sob este modelo econômico e as principais objeções às sociedades capitalistas, além de abordar a questão do anticomunismo. Nesta 3ª edição revista e ampliada da obra foram incluídos uma apresentação de F. A. Hayek, prefácios de Francisco Razzo e de Bettina Bien Greaves, um posfácio de Israel M. Kirzner, um anexo de Jesús Huerta De Soto, notas de rodapé do editor e um novo índice remissivo e onomástico. Autor: Ludwig von Mises Ludwig von Mises ficou conhecido na história como um dos principais nomes da Escola Austríaca de Economia. Formado em Direito e Economia pela Universidade de Viena, M...

História | A história de Magnitsky e a lei que pune abusos globais

História | A morte de Sergei Magnitsky não foi apenas uma tragédia pessoal. Ela se transformou em um marco global contra a impunidade. Advogado e auditor russo, Magnitsky denunciou um esquema bilionário de fraude fiscal envolvendo autoridades do governo. Em vez de proteger o denunciante, o Estado o prendeu. Após quase um ano de tortura psicológica, negligência médica e maus-tratos, ele morreu em uma prisão de Moscou em 2009. A repercussão internacional foi imediata. O caso expôs as entranhas de um sistema que silenciava vozes incômodas e blindava corruptos. Em resposta, o Congresso dos Estados Unidos aprovou, em 2012, a Lei Magnitsky. Inicialmente voltada para punir os responsáveis russos, a legislação evoluiu. Em 2016, surgiu a versão global: a Global Magnitsky Act. Essa lei permite que governos imponham sanções a indivíduos estrangeiros envolvidos em violações graves de direitos humanos ou corrupção. As medidas incluem congelamento de bens, proibição de entrada em territór...

Opinião | Marxismo cultural: a revolução silenciosa do pensamento

Opinião | O marxismo cultural não é apenas uma teoria acadêmica ou uma abstração filosófica. É uma estratégia concreta, silenciosa e persistente que visa transformar os pilares da sociedade por meio da infiltração ideológica. Ao contrário do marxismo clássico, que buscava a revolução por meio da luta de classes e da tomada do poder econômico, o marxismo cultural atua nas esferas simbólicas: educação, mídia, arte, religião, linguagem e comportamento. A ideia central é simples: para mudar a sociedade, é preciso primeiro mudar a forma como as pessoas pensam. Isso é feito por meio da desconstrução de valores tradicionais — como família, fé, patriotismo, mérito e liberdade — e da substituição por narrativas que promovem relativismo moral, vitimização coletiva e hostilidade à cultura ocidental. A origem da estratégia O termo “marxismo cultural” ganhou força a partir das ideias da Escola de Frankfurt, um grupo de intelectuais marxistas que, diante do fracasso das revoluções prol...

Frases | 40 frases memoráveis de Lula

Frases |  Nunca antes na história deste país um presidente pronunciou tantas frases memoráveis quanto Luiz Inácio Lula da Silva, líder da Esquerda no Brasil. Esta coletânea reúne 40 declarações marcantes que ilustram sua trajetória política. Uma leitura essencial para quem deseja entender o impacto das palavras na construção de um legado político. 1. Deus Lula “Doutor, se o senhor soubesse quanta gente usa meu nome em vão... De vez em quando, eu fico pensando que as pessoas tinham de ler mais a Bíblia para não usar tanto meu nome em vão.” Lula em depoimento à Justiça Federal ao ser questionado sobre a denúncia de que o pecuarista José Carlos Bumlai usou seu nome para facilitar a contratação da Schahin Engenharia pela Petrobras. Mas a Bíblia não faz menção a Lula. Faz a Deus sobre o uso “do nome em vão”. 2. Orgulho Comunista “Nós ficaríamos ofendidos se nos chamasse de nazista, neofascista, de terrorista. Mas, de comunista, de socialista, nunca. Isso não nos ofende. Isso ...

Ilumine-se | Quando o Mal se Disfarça de Amor e Liberdade

Ilumine-se | Vivemos em tempos em que o mal já não se apresenta como destruição evidente, mas como bondade disfarçada. Ele não chega com gritos, mas com sussurros. Não se impõe com violência, mas seduz com discursos de aceitação, liberdade e tolerância. E é justamente aí que mora o perigo: quando o mal se veste de virtude, muitos o acolhem sem perceber. A fé cristã sempre nos ensinou que o bem exige esforço, renúncia e compromisso. Amar verdadeiramente é corrigir, orientar, proteger. Mas o mundo moderno tem promovido uma ideia de amor que tudo aceita, que nada confronta, que se cala diante do erro. Essa falsa bondade é o terreno fértil onde o inimigo planta suas sementes. A liberdade, quando desconectada da verdade, torna-se escravidão. O relativismo moral — que afirma que tudo depende do ponto de vista — é a ferramenta perfeita para neutralizar consciências. Quando tudo é permitido, nada é sagrado. Quando tudo é aceitável, a verdade se torna incômoda. E quando a verdade inc...

Opinião | O Mercado das Ideias Prontas: Quando o Ativismo Esquece de Pensar

Opinião | Vivemos uma era em que causas se transformaram em produtos. São embaladas com slogans de impacto, distribuídas pelas redes sociais e consumidas por multidões em busca de pertencimento. Mas nesse frenesi ideológico, algo essencial tem sido deixado de lado: o raciocínio lógico. Assim como escolhemos marcas de roupa que representem nosso estilo, muitos adotam narrativas que combinam com suas emoções do momento — sem examinar com profundidade o que essas ideias realmente defendem. O ativismo, nesse modelo, vira uma vitrine: cada um escolhe o discurso mais conveniente, sem se preocupar com os ingredientes ideológicos por trás da embalagem. Em vez de debates genuínos, vemos frases replicadas como mantras. Slogans encantadores, mas desprovidos de conteúdo real, recheados de narrativas fantasiosas. A repetição transforma essas frases em dogmas. E o dogmatismo, por definição, é a morte do pensamento livre. A incoerência se torna evidente quando alguém apoia simultaneament...